6 de fevereiro de 2012

Cargill diz que a era do alimento barato acabou




A era dos alimentos cada vez mais baratos provavelmente chegou ao fim. A conclusão é do vice-presidente da Cargill, Paul Conway, citado pela agência de notícias Bloomberg, durante uma conferência em Dubai, ontem.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), a produção de alimentos precisa crescer em 70% para fazer frente à expansão da população mundial, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050, e ao aumento da renda nos países em desenvolvimento, que tem elevado o consumo de carnes.

“Você não precisa ser um ‘altista’ em relação às commodities para acreditar que a era, que foi dos anos 1950 até o início dos 1980, na qual os preços dos alimentos ficavam cada vez mais baratos, em termos reais, provavelmente acabou”, afirmou Conway.

Os preços internacionais de várias commodities agrícolas, como soja, milho, trigo, açúcar e suco de laranja praticamente dobraram nos últimos anos. O índice de preços dos alimentos da FAO atingiu no ano passado o maior nível da história, com um salto de 23% em relação à média de 2010.

Conway criticou as restrições às exportações de alimentos impostas nos últimos anos por países como Índia, Rússia, Egito e Vietnã com o objetivo de proteger seus mercados domésticos da escalada dos preços internacionais. Segundo ele, tais bloqueios revelam um anseio injustificado pela autossuficiência.

“O desejo de produzir todos os alimentos localmente não faz qualquer sentido. Isso distorceu o comércio internacional e, na nossa opinião, exacerbou a pressão sobre os preços dos alimentos no ano passado”, afirmou.

Com sede nos Estados Unidos, a Cargill é uma das maiores tradings agrícolas do mundo.

Fonte: Valor Econômico






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