5 de fevereiro de 2012

Apple tem US$ 97,6 bilhões em caixa


Loja da Apple na estação Grand Central, em Nova York.


A Apple começou a infringir até a lei dos grandes números.

Com um aumento de 73% na receita do trimestre encerrado em dezembro, para US$ 46 bilhões, a gigante da tecnologia ultrapassou as expectativas dos analistas em extraordinários US$ 7 bilhões. Só essa diferença é mais que a receita trimestral inteira da Research In Motion, fabricante do BlackBerry.

Graças ao lançamento do iPhone 4S, a Apple vendeu 37 milhões de aparelhos no trimestre. É quase o dobro do último recorde da empresa nas vendas de celulares, estabelecido dois trimestres atrás. O analista Neil Mawston, da Strategy Analytics, calcula que a fatia da Apple no mercado de smartphones aumentou do último recorde de 18%, alcançado dois trimestres atrás, para 25% atualmente. E o último trimestre não incluiu as vendas do iPhone 4S na China. O modelo só foi lançado lá no presente trimestre.

Enquanto isso, o lançamento do tablet mais barato da Amazon, o Kindle Fire, não atrapalhou o iPad. A Apple vendeu 15,4 milhões de tablets, 38% a mais que no trimestre anterior.

Talvez o mais impressionante é que a Apple gerou um fluxo de caixa livre de US$ 16 bilhões no trimestre, o que aumentou o saldo da empresa para US$ 97,6 bilhões. É mais que o valor de mercado de cerca de 95% das empresas no índice de 500 ações da Standard & Poor's. Certamente, os acionistas estão ansiosos para saber o que a Apple fará com isso e o diretor financeiro Peter Oppenheimer disse que a empresa está "discutindo ativamente" o destino do dinheiro.

Compreender o potencial do iPhone, que respondeu por 53% da receita no trimestre encerrado em dezembro, é essencial para antecipar o possível caminho da ação. E com certeza ela ainda tem muita estrada para percorrer. Embora o aparelho da Apple já seja oferecido pela maioria das operadoras na América do Norte e na Europa Ocidental, Mawston nota que a Apple ainda pode expandir a distribuição para o Leste Europeu, a América Latina e o Oriente Médio. Também existe a China, onde o iPhone só é vendido pela segunda maior operadora local, a China Unicom, que tem cerca de 20% das assinaturas do mercado chinês. A maior operadora, a China Mobile, com quase 70% do mercado, é uma grande oportunidade.

Mas os investidores não esperam que o iPhone chegue rapidamente às prateleiras das lojas da China Mobile. Os modelos atuais do aparelho não são compatíveis com a rede da empresa, que é 3G. A China Mobile precisa instalar sua rede da nova geração da tecnologia, a LTE, enquanto a Apple tem que lançar um modelo que aceite a LTE — algo previsto para este ano.

Outra barreira às vendas na China é o custo do iPhone. Entre os smartphones mais caros do mercado, os iPhones geralmente são comprados por pessoas com planos de assinatura.

Cerca de 75% do mercado da China, e uma fatia ainda maior do mercado da Índia, são de celulares pré-pagos. Para atrair esses clientes, a Apple terá de oferecer uma versão mais simples do iPhone que definitivamente teria uma margem menor que os modelos atuais. Mas continua sendo uma oportunidade para expandir seu potencial de mercado.

Com tantas oportunidades, não é de espantar que a Apple tenha se tornado a Exxon da telefonia móvel. E com a alta de 8% na ação registrada depois do fechamento do pregão, ela ultrapassou mais uma vez a petrolífera na disputa pelo título de empresa mais valiosa dos Estados Unidos.

Fonte: The Wall Street Journal 
Por Rolfe Winkler 
Foto: Newtech






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