5 de novembro de 2012

Promotores de Vendas estão no alvo do MTE em MG


Os supermercados estão na mira do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Por conta do aumento das denúncias, desde o início do ano o órgão tem realizado por meio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais (SRTE/MG) uma série de fiscalizações nos estabelecimentos comerciais. O objetivo é apurar irregularidades referentes à terceirização dos serviços.

A ação faz parte de um projeto-piloto do MTE iniciado no estado e que posteriormente será adotado em todo o país. A programação ainda inclui a criação de um setor no ministério dedicado exclusivamente aos supermercados, composto por um grupo de fiscais especializados na área. A medida é semelhante ao que já é feito na construção civil, indústrias de extração mineral, comércio varejista e outros 10 segmentos.

Serviço de controle das mercadorias está na mira da fiscalização

A superintendência regional ainda não revela quais são as irregularidades mais comuns entre as empresas, mas o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Belo Horizonte (Sincovaga-BH) reconhece que a atuação dos promotores de vendas está entre os principais focos da fiscalização. Hoje, esses profissionais – em sua maioria contratados pelas indústrias – se encarregam de organizar os produtos nas prateleiras e, em alguns casos, até de realizar a reposição.

Segundo um empresário que não quis ser identificado, os promotores enviados para os supermercados são treinados pela indústria, seja ela de alimentos, bebidas ou limpeza, para gerenciar o espaço de vendas. “Eles avaliam a melhor forma de exposição do produto para atrair mais consumidores. Também trabalham a área oferecida pelo estabelecimento para garantir melhor utilização e visibilidade”, explica.

Mas este não tem sido o entendimento do MTE, que vê no trabalho dos promotores de vendas da indústria um desrespeito à legislação, já que qualquer atividade associada ao objetivo final do negócio não está passível de ser terceirizada. O que significa que funções ligadas ao abastecimento, precificação, organização, pesagem, reposição de mercadorias nas gôndolas, gerenciamento e ocupação de espaços e transporte de mercadorias do depósito para a área de vendas só podem ser exercidas por funcionários próprios, integrantes do quadro da empresa.

O superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, garante que a atuação do promotor é necessária. “Uma loja grande tem 70 mil itens. É humanamente impossível entender de cada um deles como a própria indústria conhece. Esses profissionais sabem profundamente sobre o produto”, observa. A atuação dos promotores de vendas, tem sido alvo de constantes reuniões entre o Sincovaga-BH e seus associados. O sindicato ainda realizou na última semana reunião com representantes da Amis e da SRTE/MG para nova rodada de discussões.

PREJUÍZO A grande preocupação dos supermercados está no aumento dos custos com a necessidade de contratação de funcionários. “Esses promotores contratados pela indústria têm cargos mais altos, são mais qualificados e ganham mais. Se eles não puderem mais exercer essa função, com certeza vamos ter que buscar outros funcionários, aumentando os custos”, observa um empresário do setor supermercadista. Para ele, a indústria também será prejudicada. “É um interesse dela ter controle sobre a exposição de seu produto para a venda”, pondera.

A superintendência do MTE em Minas informa que os estabelecimentos ainda não estão sendo multados, mas sim autuados. “Quando a fiscalização vai e constata que a irregularidade existe, lavra os autos de infração. A empresa tem prazo de 30 dias para manifestar sua defesa”, afirma o SRTE/MG por meio da assessoria de imprensa.

Carrinhos cheios no primeiro semestre

O desempenho das vendas nos supermercados surpreendeu no primeiro semestre do ano. Enquanto a economia luta para crescer 0,5% no segundo trimestre ante 0,2% no primeiro, o faturamento do setor supermercadista expandiu 7,57% nos primeiros seis meses do ano contra igual período de 2011.

O resultado fica ainda mais animador se o desempenho de junho deste ano for comparado com o mesmo mês do ano passado: a elevação chega a 9%. “Foi acima do esperado. Com esses números, acreditamos que o setor feche 2012 com crescimento superior a 4% em relação a 2011”, afirma Adilson Rodrigues, superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis). Frente a maio, houve uma ligeira retração de 0,25% em Minas Gerais, considerada pelo setor como estabilidade.

Até então, esperava-se uma expansão de 6% no primeiro semestre, o que contribuiria para um resultado final próximo a 4%. “Agora estamos bastante confiantes que vamos fechar acima de 4%”, avalia Adilson Rodrigues. A elevada base de comparação no segundo semestre, no entanto, impede projeções mais otimistas para o fechamento de 2012. “A forte expansão do faturamento nos seis últimos meses do ano passado vai comprometer a comparação deste ano”, pondera Adilson Rodrigues.

A geração de postos de trabalho, queda da inflação e redução das taxas de juros estão entre as principais justificativas para a expansão do setor supermercadista acima da média. “É um cenário contrário ao que vivíamos no primeiro semestre de 2011”, lembra o superintendente da Amis. O aumento da renda das famílias também contribuiu e continuará ajudando a fomentar os negócios que devem fechar 2012 com faturamento de R$ 14 bilhões e 8 mil postos de trabalho criados. (PT)

O Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, organizou ontem uma blitz educativa na BR-381, em Betim, para orientar motoristas sobre as novas obrigações dos condutores, válidas a partir da próxima quinta-feira.
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Anônimo disse...

A fiscalização é necessária pois a terceirização já está passando dos limites nos grande varejistas, os promotores que deviam exercer apenas ações de merchandising, degustação ou demonstração de produtos, são usados para TUDO, desde descarga de caminhões, limpeza e organização de de depósitos e até são pressionados a se submeterem as vontades dos varejistas quanto ao horário e dias de trabalho. Situações as quais os empregadores tem total conhecimento e que tem o único propósito de diminuir os gastos dos varejistas com funcionários.