6 de dezembro de 2009

Cerveja do Homer Simpson ganha vida

Domingo, 06 de Dezembro de 2009

Sentada num sofá imitando couro preto, Zaida Hernández conversa com sua amiga Ana no King's Pub, na Cidade do México. O ambiente é pouco iluminado, a música é alta e a oferta especial da noite é de pizza e frozen mojitos, servidos numa ampla taça de martíni.

Mas Hernández, uma estudante de design de rosto redondo, não está tomando nenhum mojito. Ela está bebendo a cerveja Duff Beer, a preferida de Homer Simpson.

"Estávamos buscando algo diferente", disse ela, olhando com atenção o rótulo, que é praticamente o mesmo que aparece nas latas do desenho animado. "Quando alguém oferece Duff para você, acho que você basicamente tem que experimentar."

* Reprodução

É exatamente isso que Rodrigo Contreras, o produtor da Duff Beer da vida real, queria ouvir. Como alguém que trabalha com marketing, Contreras sempre teve olho para uma boa publicidade. O investimento de US$ 140 mil (R$ 242 mil) para montar sua companhia, a Duff, veio dos rendimentos de um livro que ele escreveu sobre Vincente Fox, um ex-presidente do México que é lembrado por tudo o que não conseguiu fazer durante seu governo. O livro, "Tudo o que um grande presidente e um grande homem faz por um grande país", tem 136 páginas em branco.

A primeira vez que Contreras pensou em produzir a cerveja Duff foi em 2002, enquanto assistia aos "Simpsons". "Pensei comigo mesmo inúmeras vezes: 'Alguém deveria fazer isso'", disse. "Então pensei: 'Por que não eu?'"

Uma das razões é a Fox, a gigante da mídia e dona de "Os Simpsons". Num caso que foi relatado no final dos anos 90, a cervejaria Lion Nathan na Austrália foi obrigada a retirar sua Duff Beer do mercado depois que a Fox entrou com uma processo por violação de direitos autorais - embora o produto não tivesse nenhuma semelhança com o da série de TV.

A Fox não confirmou a informação. Quando questionada sobre a Duff Beer de Contreras, a rede disse que não comentaria nenhuma ação legal que poderá ou não tomar. Ela simplesmente afirmou: "'Os Simpsons' são propriedade da Twentieth Century Fox, e a Fox têm os direitos sobre o universo de 'Os Simpsons'. Temos a intenção de proteger nossos direitos."

Contreras insiste que ele contatou a Fox em 2006, e foi ignorado desde então. Ele também alega que contatou a Gracie Filmes, produtora da série. "Eu queria assegurar a eles que eu não era um ladrão e que não queria roubar suas ideias", disse. Ele estava buscando uma parceria mas, sem nenhuma resposta, decidiu levar seus planos adiante.

A cerveja é produzida em Tijuana por uma companhia chamada Simpson's Brewing Company, o que é uma coincidência, enfatiza Contreras.


Ele diz que as vendas na Europa, onde ele lançou a cerveja, agora variam entre 25 e 30 contêineres por mês - um contêiner comporta 1.716 caixas de 24 garrafas cada - comparado aos seis que vendia quando começou, em 2006.

No México, as vendas aumentaram de dois contêineres por mês, quando ele começou a produção, para cerca de dez no começo deste ano.

Esse crescimento é impressionante, dado que Contreras não gastou quase nada em publicidade. Mas como diz Javier Suarez, gerente do King's Pub: "No momento em que oferecemos aos fregueses a Duff Beer dos Simpsons, eles praticamente arrancam-na das nossas mãos."

Mas a mesma razão para o sucesso da bebida também pode ser um obstáculo. A maioria dos consumidores sabe que a bebida ficcional é uma paródia do tipo de cerveja produzida em massa e encontrada em todo o território dos Estados Unidos. Além disso, seu consumidor mais famoso dificilmente é um modelo de comportamento para a maioria das pessoas. E Contreras admite: "Adoramos Homer, mas não necessariamente queremos ser como ele. Meu maior medo é que as pessoas comprem Duff Beer só uma vez para guardar a garrafa."

Contreras diz que o próximo passo é começar a produzir a Duff em latas, como as que Homer bebe. A ideia é fazer uma produção inicial de 300 mil latas no México. Ele investiu cerca de US$ 400 mil (R$ 691 mil) para colocá-las no mercado, e a cervejaria de Tijuana investiu mais US$ 1,1 milhão (R$ 1,9 milhão). Contreras também pretende estabelecer 35 bares em todo o México onde venderá a cerveja.

Mas o maior prêmio é os Estados Unidos, onde a cerveja está disponível em algumas empresas que a importam do México, mas onde Contreras ainda precisa registrar sua marca.

"Não vou entrar lá antes de saber se eles [a Fox] irão lutar comigo ou se juntar a mim", diz.

Levando em conta o silêncio da Fox, talvez ele tenha que esperar algum tempo.

Financial Times
Adam Tomson
Tradução: Eloise De Vylder
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