15 de fevereiro de 2011

Grohe prepara compra de concorrente na China


A Grohe, fabricante alemã de metais sanitários, está comprando sua maior rival chinesa, numa iniciativa que visa combater a pirataria de produtos por empresas da China.

A fabricante de torneiras e chuveiros anunciou na segunda-feira que apresentará ao mercado uma proposta pública de compra de ações de sua concorrente Joyou, líder de vendas no mercado doméstico chinês.

 David Haines, diretor-executivo da Grohe, disse ao "Financial Times" que o principal objetivo do negócio, que avalia a Joyou em € 324 milhões é ter acesso ao enorme mercado potencial em que se constitui a classe média asiática, em rápido crescimento.

"Isso também nos permite enfrentar a questão do plágio, embora esse seja predominantemente um efeito colateral da aquisição."

A Joyou, listada na bolsa de Frankfurt desde março do ano passado, tem uma participação de mercado de 12% na China e opera 3,6 mil pontos de venda, em comparação com apenas 200 da Grohe no país.

A Grohe, de propriedade do fundo de investimentos em participações TPG, sob gestão do Credit Suisse, é a maior fabricante europeia de metais sanitários em volume de vendas. Suas receitas subiram quase 20%, para € 980 milhões no ano passado, enquanto o lucro operacional cresceu quase 30%, para € 200 milhões.

Companhias de design na maior economia da Europa perderam € 6,4 bilhões em receitas em 2009, como resultado de cópias predominantemente chinesas de seus produtos, estima a VDMA, associação de lobby do setor. "Comprar a líder de mercado chinesa parece uma boa maneira de ajudar a proteger os produtos originais", disse Marc Wiesner, consultor jurídico da VDMA.

Numa pesquisa realizada em 2010 pela associação que congrega empresas de design, 80% das companhias consultadas citou concorrentes chinesas como principal fonte de produtos copiados. Mas como as melhores empresas chinesas se sofisticaram e deixaram de copiar - tendo, em anos recentes, passado a inovar -, a proteção à propriedade intelectual ganhou mais importância no mercado interno. No ano passado, as autoridades aduaneiras alemãs, pela primeira vez, confiscaram mais produtos copiados originados da Tailândia do que da China.

 Fonte: Valor Econômico
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