13 de setembro de 2010

Nadir Figueiredo investe em fábrica em Suzano

Companhia opera com 90% da capacidade e se prepara para fabricar produtos mais sofisticados

Uma das empresas mais tradicionais do Brasil na área de embalagens, a Nadir Figueiredo vai investir R$ 79,6 milhões na fábrica de Suzano (SP), no primeiro grande desembolso do grupo desde a reforma da unidade adquirida em setembro de 2008. Os recursos serão aplicados na criação de dois armazéns, de 45 mil metros quadrados no total, e na construção de um novo forno, o sexto em operação na companhia.

A decisão foi tomada semanas atrás pelo comando da empresa, presidida por Morvan Dias de Figueiredo (filho de um dos fundadores do grupo) e neste momento a companhia está acertando detalhes do novo projeto. Entre esses detalhes em discussão agora, está por exemplo, o número de linhas de produção a ser atendido pelo forno e o exato local de construção da peça. "Está na hora de planejarmos uma estrutura maior", diz Mauro Frederico Marquezano, vice-presidente de vendas e marketing da Nadir Figueiredo, a maior fabricante do mundo do copo americano, aquele tradicional copinho de vidro usado em bares e restaurantes para tomar um cafezinho ou beber cerveja.

"Com o forno, vamos ampliar a fabricação de toda a linha e passar a produzir produtos inéditos, de maior valor agregado, para classes de maior poder de compra. Isso porque acreditamos que dá para lançar itens mais sofisticados", diz o executivo. Os quase R$ 80 milhões a serem aplicados equivalem a mais do que o dobro dos R$ 37 milhões aplicados pelo grupo em todo o ano de 2009, segundo conta no balanço financeiro anual. Quarenta por cento dos recursos sairão do caixa próprio da empresa e o restante (60%) de uma linha de financiamento do BNDES.

O fato de a Nadir Figueiredo operar próxima de sua carga máxima - o uso da capacidade instalada está em 90% em média nas unidades de Suzano e São Paulo - levou a fabricante a planejar o investimento. Mas é algo que não terá impacto imediato para a empresa. O forno deve estar em operação dentro de pelo menos dois anos. Quanto aos armazéns, o primeiro fica pronto em novembro e o segundo, em março. Essa nova área de armazenamento de 45 mil metros quadrados deve triplicar atual o espaço disponível na empresa.

De acordo com Marquezano, há uma explicação para a empresa investir em espaços maiores para estocar produto - algo que gera um aumento do custo fixo das empresas. "Somos uma indústria que precisa ter produto estocado. O giro não é tão rápido quanto o de empresas de outros setores da economia, que possuem ciclos de produção muito mais acelerados".

A Nadir produz 162 mil toneladas anuais de vidro nas duas fábricas do grupo, sendo que nos quatro fornos em operação na unidade da Vila Maria, zona norte de São Paulo, a capacidade de produção é de cerca de 400 toneladas de vidro ao dia. No único forno de Suzano, são 200 toneladas diariamente. De janeiro a junho, a receita líquida da empresa cresceu quase 22%, segundo o balanço financeiro da fabricante. O lucro líquido passou de magros R$ 520 mil no primeiro semestre de 2009 para R$ 6,1 milhões em igual intervalo deste ano.

Os números são resultado de um trabalho recente focado não apenas nos ganhos de escala de produtos de baixo valor agregado, mas principalmente na maior demanda por lançamentos com margens de lucro mais elevadas. No portfólio da Nadir existem mais de três mil itens, entre formas de vidro, aparelhos de jantar, jarras e vasos, entre outros produtos. Ao ano, a empresa tem lançado em média 40 novos produtos. Alcançou essa marca em 2009, considerada recorde para a companhia.

É uma demanda que se sustenta basicamente no mercado interno. Neste ano, a companhia tem em suas contas a receber de clientes quase R$ 80 milhões até 30 de junho. No mesmo período de 2009, eram R$ 61 milhões. No mercado externo, são R$ 8,2 milhões a receber do exterior, contra R$ 10,5 milhões em 2009. Indústrias de consumo, na área de cosméticos e beleza, já identificaram inclusive dificuldade em adquirir alguns tipos de embalagens de vidro, por conta da elevada demanda do mercado local.

Fonte: Valor Econômico
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