29 de outubro de 2009

Projeto "Nestlé até Você".

O sucesso do formato de vendas diretas atrai a atenção de grandes empresas. A multinacional Nestlé lançou em 2005, um projeto denominado 'Nestlé Até Você', em que kits com biscoitos e iogurtes são vendidos diretamente aos moradores em alguns bairros periféricos do município de São Paulo.

Na região de Heliópolis, na capital paulista, um microdistribuidor é responsável pelo recebimento dos produtos, desenvolvimento de catálogos de venda, promoção de convenções e outras atividades de suporte com os revendedores. O objetivo é vender diretamente ao consumidor, reduzindo custos exigidos por supermercados. Segundo a companhia, a venda de produtos da marca é feita por seis revendedoras que obtêm, em média, R$ 600 mensalmente, conforme o tempo de dedicação à atividade. Segundo a Nestlé, são vendidos cerca de 10 mil potes de iogurte e 2 mil pacotes de biscoitos por mês. A diferença de preço pago na porta de casa pelo consumidor em comparação com o da mercadoria adquirida no mercado é inferior a 10%.

Segundo a empresa, o modelo de negócio é desenvolvido praticamente em todas as áreas da cidade de São Paulo, abrangendo zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, com microdistribuidores que atuam nos bairros das classes C, D e E e em outros municípios das regiões Sul e Sudeste, com a participação de 150 microdistribuidores e 6 mil revendedores. A Nestlé já levou o projeto para Alagoas, Ceará, Pará, Paraíba e Pernambuco. Os planos são de expandir para o Centro-Oeste em 2010.

A multinacional tentou lançar o projeto na favela de Paraisópolis, que tem 80 mil habitantes, mas não encontrou interessados. Segundo o ex-vereador José Rolim, líder comunitário local, há muitas exigências para ser um distribuidor. "A Nestlé é muito rigorosa e está correta pois a venda direta é um meio de acabar com o monopólio dos grandes supermercados. Os revendedores não queriam garantir a inadimplência", diz.
Na região, em um raio de 7 km, há 13 mercados e hipermercados de bandeiras como Extra, Pão de Açúcar, CompreBem, Assai, Carrefour, Walmart e Makro. Rolim afirma que não há mais mercados pequenos. "Foram engolidos pelos grandes."

O distribuidor ganharia uma comissão sobre as vendas, mas teria que abrir uma pequena empresa, alugar um galpão e garantir o pagamento das mercadorias. E ninguém se interessou. Para Rolim, o consumidor perdeu a chance de comprar os produtos a um preço mais acessível. Mas ele mantém esperança de o projeto ainda decolar em Paraisópolis.

Fonte: Diário do Comércio - SP
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