20 de maio de 2009

Sadia e Perdigão - Para essa fusão eu falo sim?

A forte crise financeira que pôs dezenas de empresas em dificuldades já anunciava que uma onda de consolidação estava por vir entre as empresas brasileiras.

O baque para algumas companhias, sobretudo para as que tiveram perdas com derivativos cambiais, foi tão forte que o improvável aconteceu: depois de três tentativas frustradas, Perdigão e Sadia, que juntas possuem valor de mercado superior a R$ 10 bilhões, enfim se associaram, dentro de um plano de levantar R$ 4 bilhões com emissão de ações ao mercado. A criação da Brasil Foods (BRF), como foi batizada a nova empresa, deve colocar um ponto final na dívida de curto prazo bilionária da Sadia, que supera R$ 3 bilhões, sendo cerca de R$ 2 bilhões vencendo até setembro.

A urgência da companhia, liderada pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan, viabilizou uma fusão considerada tão difícil como unificar as torcidas do "Palmeiras e do Corinthians", como se referiu várias vezes ao improvável desfecho.Os desafios, porém, não acabaram e os executivos da nova empresa têm à frente o enfrentamento dos órgãos de defesa da concorrência. Para o ex-presidente do Cade, Ruy Coutinho, a operação da Brasil Foods será a de maior envergadura já avaliada pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). A transação acertada ontem ocupa o 6 lugar entre as maiores realizadas no Brasil desde 2004.

A apresentação das condições da fusão foi feita nos moldes que o mercado esperava, mas a preocupação com o sucesso da oferta de ações para captar R$ 4 bilhões, por conta das condições ainda pouco favoráveis, contribuiu para a derrocada dos papéis no pregão da BM&F Bovespa. As ações da Perdigão, que será a empresa remanescente da fusão listada em Bolsa, recuaram 6,36%. Houve também um movimento de realização de lucros. Entre 2 de março, quando começaram as especulações sobre a fusão, e segunda-feira, os papéis PN da Sadia subiram 62,5% e os ON da Perdigão, 22,1%.

A fusão entre Perdigão e Sadia não prevê demissões, disseram dirigentes das duas empresas . A nova companhia formada pela união das duas gigantes do setor alimentício, a Brasil Foods, deve ser a maior empregadora privada do país, com mais de 100 mil funcionários.

Segundo o presidente da Sadia, que será copresidente da Brasil Foods, Luís Fernando Furlan, não haverá fechamento de fábricas e espera-se um aumento da demanda e, por consequência, da produção, devido aos esforços combinados das duas companhias para ampliação dos negócios. “Nós estamos fazendo essa associação para aumentar o número de empregos”, afirmou Furlan.

Em relação aos consumidores, tanto a Sadia quanto a Perdigão garantem que não ocorrerão mudanças e que serão mantidas todas as marcas e produtos oferecidos atualmente.

Apesar da otimização dos meios de produção e da logística resultantes da fusão, não há indicação de redução de preços para o consumidor. De acordo com o presidente da Perdigão e copresidente da nova empresa, Nildemar Sanches, o principal motivo de não haver diminuição nos custos é o fato de as empresas serem apenas “uma parte da cadeia produtiva”, que envolve também os distribuidores, atacadistas e vendedores do varejo.

Quanto a uma possível concentração de mercado, Sanches admitiu que a Brasil Foods terá uma “fatia significativa” de vários segmentos do setor de alimentação, mas ressaltou que ainda não se conhecem as dimensões da parcela de mercado referente à nova empresa. Sanches destacou que uma parte significativa da atuação das companhas é no exterior: “Metade do nosso faturamento vem de fora do Brasil.”

Fonte: Gazeta Mercantil

1 Participações:

Airton disse...

falaa caraaa
passa la

homenagem a james stewart no blog
http://publicandobr.blogspot.com/2009/05/o-aniversario-de-james-stewart.html
o maior ato de tds